terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pesquisa identifica 5 novas espécies de lagartos no P

Estudo elevou ao status de espécie animais antes tidos como subespécies.
Pesquisadora avaliou morfologia e cor dos lagartos para concluir o estudo.
Do Globo Amazônia, em São Paulo.

A conclusão de um estudo no Pará levou à descoberta de 5 novas espécies de lagartos do grupo Anolis chrysolepis. A partir da análise da pesquisadora Annelise D'Angiolella, feita em parceria pelo Museus Paraense Emílio Goeldi e pela Universidade Federal do Pará, os animais deixaram de ser considerados como subespécies e foram elevados ao status de espécies.

A pesquisadora avaliou dados moleculares e morfológicos dos animais para chegar à conclusão. Estudou, por exemplo, a quantidade de escamas, a cor do papo e o tamanho do corpo dos lagartos para determinar as novas espécies.

Foto: Museu Goeldi/ Divulgação

Espécie do grupo Anolis encontrada na Colômbia, Brasil, Equador e Peru. (Foto: Goeldi/ Divulgação)



No total, foram analisadas 359 exemplares de animais, entre répteis e anfíbios, para identificar diferenças e semelhanças na classificação taxonômica. De acordo com a pesquisadora, a Amazônia é o "berço" desse tipo de lagarto, cujo grupo é reconhecido por ter cabeça curta e papo pequeno ou médio.

Dependendo da espécie, os animais se distribuem na Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, além do Amazonas, do Mato Grosso, do Acre, do Amapá e do Pará, no Brasil. Fora do bioma amazônico, também podem ocorrer em estados do Nordeste e do Centro-Oeste.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Para elucidar doenças mentais, pesquisadores estudam "história de vida" dos genes

BENEDICT CAREY
DO "THE NEW YORK TIMES* 


Por décadas, pesquisadores exploraram a linhagem genética de pessoas com doença mental em busca de variações comuns que causam condições devastadoras para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia e transtorno bipolar. Essa busca, entretanto, não tem surtido tanto efeito. Embora os transtornos possam envolver problemas genéticos, nenhum padrão emergiu.
Diante desse quadro, os cientistas passaram a direcionar o foco em um campo mais promissor: a epigenética (estudo de como a experiência e o ambiente afetam o funcionamento dos genes). 
Os genes são muito mais que máquinas de proteínas, bombeando seu produto como uma pipoqueira. Muitos carregam o que na verdade são anexos químicos: compostos que agem na molécula de DNA que regulam quando, onde e que quantidade de proteína é produzida, sem alterar a receita em si. Estudos sugerem que esses marcadores adicionais, ou epigenéticos, se desenvolvem à medida que um animal se adapta a seu ambiente, seja no útero da mãe ou no mundo --e os marcadores podem afetar profundamente o comportamento.
Em estudos realizados com roedores, pesquisadores mostraram que a maternidade carinhosa altera a expressão dos genes, permitindo que os animais amorteçam sua resposta fisiológica ao estresse. Esse aspecto biológico é então transmitido para a geração seguinte: roedores e primatas não humanos biologicamente e mais hábeis em lidar com o estresse tendem a proteger mais sua própria cria --acredita-se que o sistema funcione de forma parecida com os humanos.
Da mesma forma, os marcadores epigenéticos podem atrapalhar o desenvolvimento normal: a cria de pais que passaram fome possui risco maior de desenvolver esquizofrenia, de acordo com algumas pesquisas --talvez devido à assinatura química nos genes que os pais transmitem.
Outro estudo recente encontrou evidências de que, em algumas pessoas com autismo, os marcadores epigenéticos tinham silenciado o gene que produz o receptor para o hormônio oxitocina. A oxitocina lubrifica os circuitos sociais do cérebro e é essencial para a solidificação de relacionamentos. Um indivíduo cujo cérebro não tem receptores suficientes para a oxitocina teria grande probabilidade de apresentar problemas sociais.
Pelo menos um grupo de pesquisadores argumenta que os marcadores químicos ajudam a resolver uma competição biológica entre genes maternos e paternos no desenvolvimento do feto. Na visão tradicional da reprodução, os genes da mãe e do pai trabalham juntos como colaboradores, compartilhando os deveres de gerar uma nova vida.
NOVA TEORIA
No entanto, uma nova teoria sustenta que os genes estão na verdade competindo, em vários momentos ao longo do genoma do feto, que está se formando. Se o sistema dá problema e o desenvolvimento cerebral se inclina exageradamente para o pai, o resultado pode ser autismo, de acordo com esses cientistas; se a inclinação é exagerada para o lado materno, a criança pode desenvolver transtornos de humor.
"Grande parte dos sistemas de modelo que estudamos sugere que as modificações epigenéticas influenciam o comportamento e que esses efeitos podem ser revertidos", disse Thomas Lehner, chefe da área de pesquisa genômica do Instituo Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos.
Ao estudar os genes no nível "epi", os cientistas esperam descobrir padrões que eram elusivos no nível dos genes --e o ideal é encontrar alvos para tratamentos calibrados que não desativariam simplesmente os genes errantes, mas gradualmente modificariam sua atividade, como o ajuste de uma balança.
O Instituto Nacional de Saúde está patrocinando cerca de cem estudos que procuram a relação entre marcadores epigenéticos e problemas comportamentais, incluindo abuso de substâncias, estresse pós-traumático, transtorno bipolar e esquizofrenia.
Em um grande estudo com pessoas com esquizofrenia, pesquisadores da Johns Hopkins analisam sangue e outros dados para verificar se o grau de variação epigenética está relacionado ao risco herdado de desenvolver o transtorno. Em outro, pesquisadores da Tufts estudam os genes de animais dependentes de opiáceos (derivados de ópio) para verificar como as alterações epigenéticas causadas pela exposição à droga afetam a sensitividade a opiáceos das crias dos animais.
Outros pesquisadores tentam determinar se áreas do genoma que mostram grandes mudanças epigenéticas podem ajudar a revelar genes que contribuem para o desenvolvimento de transtornos mentais.
Lehner observa que esses estudos são custosos e que as descobertas podem ser tão difíceis de decifrar quanto os estudos dos próprios genes. Porém, especialistas concordam que qualquer esforço para compreender como os genes afetam o comportamento deve considerar como a experiência afeta os genes.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cientistas brasileiros consertam 'neurônio autista' em laboratório

O biólogo molecular e colunista do G1 Alysson Muotri e cientistas brasileiros conseguiram transformar neurônios de portadores de um tipo de autismo conhecido como Síndrome de Rett em células saudáveis. Trabalhando nos Estados Unidos, os pesquisadores mostraram, pela primeira vez, que é possível reverter os efeitos da doença no nível neuronal, porém os remédios testados no experimento, realizado em laborátorio, ainda não podem ser usados em pessoas com segurança.
Muotri, pós-doutor em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, trabalhou com os também brasileiros Cassiano Carromeu e Carol Marchetto. O estudo sai na edição de sexta-feira (12) da revista científica internacional “Cell”.
Assista ao vídeo ao lado com explicações do próprio cientista.
Para analisar diferenças entre os neurônios, a equipe fez uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, reprogramou as células da pele em células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.
A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.
Como os genomas dessas iPS vieram tanto de portadores de autismo como de não portadores, no final o trio de cientistas obteve neurônios autistas e neurônios saudáveis.
Comparação, conserto e limitações
Comparando os dois tipos, o grupo verificou que o núcleo dos neurônios autistas e o número de “espinhas”, as ramificações que atuam nas sinapses – contato entre neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra – é menor.

Identificados os defeitos, o trio experimentou duas drogas para “consertar” os neurônios autistas: fator de crescimento insulínico tipo 1 (IGF-1, na sigla em inglês) e gentamicina. Tanto com uma substância quanto com a outra, os neurônios autistas passaram a se comportar como se fossem normais.
“É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente”, diz Muotri, que escreve no blog Espiral. “Isso é fantástico, traz a esperança de que a cura é possível. Além disso, ao usamos neurônios semelhantes aos embrionários, mostramos que dá para fazer isso antes de os sintomas aparecerem.”
Os resultados promissores, porém, configuram o que é chamado no meio científico de “prova de princípio”. “Mostramos que a síndrome pode ser revertida. Mas reverter um cérebro inteiro, já formado, vai com certeza ser bem mais complexo do que fazer isso com neurônios numa placa de petri [recipiente usado em laboratório para o cultivo de micro-organismos]”, explica o pesquisador.
Entre as barreiras que impedem a aplicação prática imediata da descoberta está a incapacidade do IGF-1 de chegar ao alvo. “O fator, quando administrado via oral ou pela veia, acaba indo muito pouco ao cérebro. Existe uma barreira [hematocefálica] que proteje o cérebro, filtrando ingredientes essenciais e evitando um ataque viral, por exemplo. O IGF-1 é uma molécula grande, que acaba sendo filtrada por essa barreira”, afirma Muotri. “Temos de alterar quimicamente o IGF-1 para deixá-lo mais penetrante.” Além disso, tanto o fator quanto a gentamicina são drogas não específicas, portanto causariam efeitos colaterais tóxicos se aplicadas em tratamentos com humanos.
'É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente', diz Alysson Muotri"É possível reverter neurônio autista para um estado
normal, ou seja, o estado autista não é permanente",
diz Alysson Muotri. (Foto: cortesia UC San Diego)
Síndrome de RettO foco do estudo foi a chamada Síndrome de Rett, uma doença neurológica que faz parte do leque dos autismos. “Leque” porque o autismo não é uma doença única, mas um grupo de diversas enfermidades que têm em comum duas características bastante conhecidas: deficiências no contato social e comportamento repetitivo.
No caso dos portadores de Rett, há um desenvolvimento normal até algo em torno de seis meses a um ano e meio de idade. Mas então começa uma regressão. Além das características autistas típicas, neste caso bem acentuadas, eles vão perdendo coordenação motora e rigidez muscular.
Essa síndrome foi escolhida para o trabalho de Muotri, Carromeu e Marchetto porque tem uma causa genética clara – mutações no gene MeCP2 – e porque afeta os neurônios de forma mais acentuada, facilitando comparações e verificações de reversão.
“Talvez a implicação mais importante desse nosso trabalho é o fato de que os neurônios derivados de pessoas com autismo mostraram alterações independentemente de outros fatores. Isso indica que o defeito foi autônomo. Por isso, esse dado deve contribuir para reduzir o estigma associado a doenças mentais”, comemora Muotri. “Você não fica autista porque sua mãe não te deu o amor necessário ou porque seus pais foram ruins.”
Utilidade das iPS
Lygia da Veiga Pereira, doutora em Ciências Biomédicas e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) da USP, saudou a pesquisa: "É mais um trabalho que mostra a enorme utilidade das células iPS, não como fonte de tecido para terapia celular, mas como modelo para pesquisa básica, para entender os mecanismos moleculares por trás de diferentes doenças que tenham forte base genética."

Lygia faz uma ressalva sobre as características muito específicas da Síndrome de Rett. Como a disfunção é exclusivamente associada a uma mutação genética, ficam de fora os fatores ambientais que desencadeiam o autismo.
Ainda segundo a especialista, os resultados obtidos por Muotri também realçam "o que brasileiros podem fazer trabalhando com infraestrutura e agilidade para conseguir reagentes, por exemplo, e interagindo com uma comunidade científica de grande massa crítica".

Bióloga transexual contraria tese de Darwin sobre seleção sexual

Apesar de não concordar com o modo em que essa teoria foi exposta no artigo abaixo, continuarei com o meu objetivo de publicar noticias do mundo das ciências biológiacas de forma imparcial.


Em sua primeira visita ao Brasil, a bióloga americana Joan Roughgarden, 64, professora da Universidade Stanford e referência em estudos sobre homossexualidade no mundo animal, atacou a teoria de seleção sexual de Charles Darwin.
Para a cientista, que em 1998 fez uma cirurgia de mudança de sexo e deixou de se chamar Jonathan para virar Joan, Darwin estava "profundamente equivocado" ao descrever padrões rígidos de distinção entre os sexos.
O conceito de seleção sexual é um dos componentes da teoria da evolução.
Daniel Deak/Divulgação
Para cientista, que fez operação de mudança de sexo em 1998, existe gradação entre machos e fêmeas na natureza
Para cientista, que fez operação de mudança de sexo em 1998, existe gradação entre machos e fêmeas na natureza
Darwin diz que as fêmeas, por gastarem mais tempo e energia com a criação da prole, tendem a ser mais recatadas, escolhendo os parceiros rigidamente, muitas vezes com base em características físicas exageradas -as caudas dos pavões ou os chifres dos veados, por exemplo.
Tais traços serviriam, para as fêmeas, como indicador de qualidade genética, enquanto os machos tenderiam a ser mais promíscuos.
Roughgarden se opõe a isso e afirma que não há um padrão rígido de comportamento para machos e fêmeas. Haveria, na realidade, várias gradações entre o feminino e o masculino. 
RELAÇÃO MACHO E FÊMEA
Ela cita várias pesquisas indicando que, na natureza, nem mesmo a relação entre macho e fêmea pode ser considerada padrão.
"Há mais de 300 espécies de vertebrados com registro de homossexualidade. Um terço dos peixes de recifes de coral pode trocar de sexo durante a vida. A seleção sexual não explica isso", diz.
No lugar do conceito de Darwin, Roughgarden propõe a teoria de "seleção social". Além de compreender as várias gradações entre os gêneros, a teoria afirma que, na natureza, é comum haver sexo sem fins reprodutivos.

Editoria de Arte/Folhapress
Como exemplo, ela cita os bonobos, primatas africanos que usam sexo como forma de integração e interação social, além de outros bichos.
Lançado há um ano, seu último livro, "The Genial Gene", aprofunda as críticas. Um dos principais alvos é o zoólogo Richard Dawkins, ex-professor da Universidade de Oxford e defensor da visão darwinista clássica. Para a bióloga, Dawkins e outros dão peso excessivo à competição no processo evolutivo.
Ela acusa as universidades britânicas de ignorar qualquer indício de erros na teoria da seleção sexual.
"Charles Darwin é um herói nacional. Por isso, admitir que existe uma falha no seu raciocínio tem um significado enorme. É como se estivessem desmoralizando a nação", afirmou.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estudo liga uso de analgésicos na gravidez a malformações em meninos

O uso prolongado de paracetamol e outros analgésicos durante a gravidez pode trazer riscos à saúde de bebês meninos, segundo especialistas.
Um estudo feito por cientistas da Dinamarca, Finlândia e França vinculou a ingestão desses medicamentos a um maior número de nascimentos de bebês com criptorquidia.
Bebês que nascem com esse distúrbio - também conhecido como testículo ectópico - apresentam o testículo escondido ou fora do lugar.
A criptorquidia está associada à infertilidade e ao câncer no final da vida.
De maneira geral, a orientação médica para mulheres grávidas é que, quando possível, evitem tomar analgésicos.
O novo estudo, publicado na revista científica Human Reproduction, levou especialistas a pedir que mais pesquisas sobre o assunto sejam feitas o quanto antes.
Eles recomendaram às mulheres grávidas, no entanto, que o uso de analgésicos para uma dor de cabeça ocasional não deve causar mal ao bebê.
O serviço nacional de saúde britânico, o NHS, aconselha que mulheres evitem tomar remédios durante a gravidez, mas permite o uso do paracetamol em doses pequenas e durante períodos curtos para aliviar a dor.
Mais de a metade das mulheres grávidas na Europa e nos Estados Unidos admitiram tomar analgésicos moderados.
Estudo
Mais de duas mil mulheres grávidas e seus filhos participaram do novo estudo.
Os pesquisadores concluíram que as mulheres que usaram mais de um analgésico simultaneamente, como por exemplo o paracetamol e o ibuprofeno, apresentaram sete vezes mais riscos de ter filhos com algum tipo de criptorquidia do que as mulheres que não tomaram nenhum analgésico.
O segundo trimestre, de 14 semanas a 27 semanas de gestação, pareceu ser um período particularmente sensível.
Riscos Maiores
O uso de qualquer analgésico nessa fase da gravidez foi associado a um risco dobrado de nascimentos com criptorquidia.
Outros tipos de analgésicos, como o ibuprofeno e a aspirina, foram vinculados a riscos quatro vezes maiores.
O paracetamol usado sozinho também pareceu aumentar os riscos, mas o resultado foi pouco significativo em termos estatísticos.
O uso simultâneo de mais de um analgésico, incluindo o paracetamol, durante o segundo trimestre da gravidez, aumentou os riscos 16 vezes.
Tomar analgésicos por mais de duas semanas também pareceu aumentar os riscos significativamente.
Os pesquisadores suspeitam de que analgéscos interferem na atividade natural dos hormônios masculinos em fetos de meninos, atrapalhando seu desenvolvimento normal.
Estudos feitos em ratos parecem reforçar essa teoria.
O cientista Henrik Leffers, do Rigshospitalet, em Copenhague, liderou o estudo.
- A exposição a perturbadores endócrinos é o mecanismo por trás de um aumento em problemas reprodutivos entre jovens do sexo masculino no mundo ocidental- disse Leffers.]
- Esse estudo sugere que atenção particular deve ser dada ao uso de analgésicos suaves durante a gravidez, já que isso pode ser uma razão importante desses problemas.
Apesar de algumas limitações do estudo - por exemplo, algumas mulheres podem não ter lembrado com precisão o número de vezes que tomaram analgésicos - os pesquisadores dizem que suas descobertas indicam que o tipo de aconselhamento dado a mulheres grávidas quanto ao uso de analgésicos deve ser reconsiderado.
Eles solicitaram que sejam feitas mais pesquisas sobre o assunto.
Repercussão
Allan Pacey, especialista em andrologia da Universidade de Sheffield, no norte da Inglaterra, disse: "Há algum tempo os cientistas se preocupam com a possibilidade de que a exposição da mãe a substâncias químicas durante a gravidez cause problemas de reprodução em bebês meninos".
- Entretanto, há relativamente poucos exemplos concretos e muito do trabalho feito até hoje é de fundo teórico.
- Isto torna esses estudos um tanto quanto alarmantes, já que eu divido que alguém suspeitasse de que analgésicos comuns pudessem ter esses efeitos - disse Pacey.
- Claramente, é prioritário que mais pesquisas sejam feitas.
O médico Basky Thilaganathan, da Faculdade Real de Obstetrícia e Ginecologia da Grã-Bretanha, disse que as revelações precisam ser interpretadas com cuidado.
Ele explicou: "o estudo mostra uma associação em vez de uma relação causal. É possível as mães tenham tomado esses analgésicos por causa de alguma doença, por exemplo, uma infecção viral, durante a gravidez. Essa (infecção viral) pode ter sido a causa real dos problemas."
A criptorquidia afeta um em cada 20 meninos na Grã-Bretanha.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estudo oferece novas pistas para vacina contra o vírus da Aids

Estudo oferece novas pistas para vacina contra o vírus da Aids

Aminoácidos da proteína HLA-B podem elucidar resistência ao HIV.
Trabalho foi publicado na revista 'Science'.

Da Reuters

Ligeiras diferenças em cinco aminoácidos numa proteína chamada HLA-B podem explicar o motivo pelo qual certas pessoas resistem ao vírus HIV, de acordo com pesquisadores dos EUA, durante estudo que fornece novas pistas sobre como produzir uma vacina para prevenir a Aids.
'Há muito tempo sabemos que algumas pessoas desenvolvem (a doença) extremamente rápido quando são contaminadas, enquanto outras podem ficar bem por três décadas sem precisar de tratamento, e ainda assim parecerem inteiramente bem', disse Bruce Walker, do Hospital Geral de Massachusetts e da Universidade Harvard, cujo estudo saiu na revista Science.
'Pensamos que poderíamos aplicar novas técnicas do projeto genoma humano para entender qual é a base genética disso', afirmou ele.
Cerca de 1 em cada 300 pessoas contaminadas pelo HIV são capazes de suprimir o vírus com seu sistema imunológico, mantendo a carga viral extremamente baixa. A equipe investigou a composição genética de quase mil pessoas com essa capacidade, comparando-as ao código genético de 2.600 outros soropositivos.
Isso os ajudou a identificar cerca de 300 diferentes locais no código genético associados ao controle imunológico do HIV, todos eles localizados no cromossomo 6. Eles então chegaram a quatro alterações individuais no DNA, conhecidas como polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), todas relacionadas ao sistema imunológico.
'Fizemos um segundo estudo em que examinamos aminoácido por aminoácido nessa região', disse Walker.
Eles encontraram cinco aminoácidos na proteína HLA-B vinculados a diferenças na capacidade da pessoa de controlar o HIV. Essa proteína é importante em ajudar o sistema imunológico e localizar e destruir células infectadas por um vírus, e Walker disse que essas variações genéticas podem fazer uma grande diferença no controle do HIV.
Entender como se dá a reação imunológica desses pacientes ao vírus da Aids pode ser um passo importante no desenvolvimento de uma vacina contra o HIV. Em quase 30 anos de epidemia, a doença já contaminou quase 60 milhões de pessoas, a maioria na África, e matou 25 milhões.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nova espécie de macaco com nariz arrebitado é descoberta em Mianmar

O macaco da foto é uma montagem feita a partir de uma carcaça. Foto: DivulgaçãoEsta montagem foi feita a partir de uma carcaça do macaco
Uma nova espécie de macaco com o nariz arrebitado foi encontrada no nordeste de Mianmar (antiga Birmânia), na Ásia.
As narinas do animal são voltadas para cima, portanto, quando chove, a água entra pelas cavidades, fazendo com que o macaco espirre.
Há outras espécies com esse tipo de nariz, mas são bastante raras.
Para os especialistas, a descoberta de uma nova espécie de primata é algo excepcional e demonstra a grande biodiversidade de Mianmar - uma riqueza que precisa ser protegida, eles enfatizam.
A nova espécie foi descrita em um artigo divulgado na publicação especializada American Journal of Primatology.
Barba e pelos nas orelhas
Cientistas fazendo pesquisas na área identificaram o chamado macaco a partir de pele e crânios recebidos de caçadores locais, que haviam relatado a existência de uma espécie que não se encaixava nas descrições existentes.
Depois, uma população pequena, estimada entre 260 e 330 indivíduos, foi localizada no Estado de Kachin, no norte de Mianmar.
Os animais são pretos e têm tufos de pelo branco saindo das orelhas. Eles também têm barba no queixo, lábios carnudos e uma cauda longa, com comprimento de em torno de 140% o tamanho de seu corpo.
A espécie está separada do habitat de outra espécie de macaco de nariz arrebitado pelos Rios Mekong e Salween.
Uma equipe de primatologistas de Mianmar e outros países identificou formalmente a nova espécie, cujo nome científico é Rhinopithecus strykeri.
O biólogo Frank Momberg, um dos diretores da ONG Fauna & Flora International (FFI), que trabalha pela preservação de plantas e animais, participou da expedição que descobriu a espécie.
Para população local, macaco tem 'rosto virado para cima'
É absolutamente excepcional descobrir uma nova espécie de primata e, especialmente, descobrir uma nova espécie de macaco de nariz arrebitado é algo muito raro", disse Momberg à BBC.
"Com o novo macaco de nariz arrebitado, Mianmar tem agora 15 espécies de primatas, o que enfatiza a importância do país para a preservação da biodiversidade".
Na vizinhança da região habitada pela nova espécie vivem os macacos Yunnan (R. bieti), que também têm o nariz arrebitado.
Segundo os especialistas, o fato de que os novos primatas estão isolados do outro grupo é uma indicação de que se trata de uma outra espécie e não uma espécie já identificada que tem apenas uma cor diferente.
'Mey nwoah'
Entrevistas com a população local revelaram que, embora cientistas desconhecessem a espécie, os moradores da área já sabiam da existência do animal, que é conhecido como mey nwoah, ou "macaco com o rosto virado para cima".
Segundo relatos de caçadores, é particularmente fácil identificar os macacos quando chove: eles espirram alto quando a água da chuva cai em suas narinas e tendem a ser vistos com a cabeça entre os joelhos.
Todas as espécies de macacos de nariz arrebitado são consideradas seriamente ameaçadas de extinção, incluindo o impressionante macaco de rosto azul R. roxellana.
A caça e a destruição do habitat desses animais são os fatores que mais ameaçam as populações de animais no mundo.
A ONG Fauna & Flora International já iniciou campanhas envolvendo a população da área e a indústria madeireira para que o habitat da nova espécie seja protegido.
"Se pudermos convencer a população da área a parar de caçar o macaco de nariz arrebitado, por meio da criação de um sentimento de orgulho local, desenvolvendo patrulhas comunitárias e monitoramento, e oferecendo fontes alternativas de sustento para comunidades que dependem da floresta, poderemos salvar (a nova espécie) da extinção", disse Momberg.

domingo, 31 de outubro de 2010

A síntese da criação-Primeiro organismo controlado por genoma artificial prova que o DNA é realmente a receita química da vida.

Linhagem sintética da bactéria Mycoplasma mycoides: vida artificial
Quando anunciou no dia 20 do mês passado a criação da primeira linhagem de células viáveis de um ser vivo controlada por um genoma totalmente sintetizado em laboratório, o cientista norte-americano Craig Venter não economizou palavras para descrever o feito. Lembrou a todos que, nunca antes na história deste mundo, a humanidade tinha sido apresentada a uma criatura desprovida de ancestrais. Sem pais. A mensagem era clara: a Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 – nome dado à variedade dessa bactéria cujo DNA fora produzido por químicos de uma empresa de biotecnologia, a Blue Heron – era filha de uma nova era. Da biologia sintética. “É a primeira espécie do planeta que se autorreplica cujo pai é um computador”, afirmou o ousado pesquisador-empresário, que, anos atrás, já havia se tornado famoso ao liderar um projeto privado de sequenciamento do genoma humano capaz de rivalizar (e acelerar) o trabalho feito pelo consórcio público.
A alusão à máquina como o pai da bactéria não é gratuita. Afinal, as informações necessárias para fabricar um genoma, na forma de uma enorme sequência de bases químicas (A, C, T e G), ficam guardadas em computadores. No caso da variedade natural da bactéria M. mycoides, trata-se da se­quência composta de 1,08 milhão de pares de bases (com cerca de mil genes) presentes em seu único cromossomo. Foi com essa receita química que se fez, em laboratório, uma cópia sintética do DNA natural da bactéria, seguindo uma série de especificações da equipe do J. Craig Venter Institute (JCVI), instituto fundado por Venter. O genoma não foi sintetizado como uma única grande sequência de DNA, mas em mais de mil pequenos pedaços. O conjunto de fragmentos foi inserido numa levedura, onde foram reunidos e retomaram a forma do cromossomo. Por fim, os cientistas retiraram o genoma sintético da levedura e o transplantaram para as células de uma outra bactéria, a Mycoplasma capricolum. O cromossomo artificial conseguiu tomar o controle das células receptoras, que passaram a produzir todas as proteínas típicas da M. mycoides. Dois dias após o transplante, as células deixaram de conter o DNA original da M. capricolum (seja porque ele foi destruído ou diluído no processo de replicação) e apresentavam um único tipo de material genético, o cromossomo sintético da M. mycoides. Em toda essa operação (ver infográfico na página 46), apenas 14 genes sem muita importância da M. mycoides se perderam ou foram anulados. “Trata-se de um avanço tanto filosófico como técnico”, disse Venter, resumindo, a seu ver, as implicações da empreitada.
Ápice de um esforço que consumiu US$ 40 milhões e quase 15 anos de pesquisa de um time de 24 pesquisadores do JCVI, entre os quais Ham Smith, Prêmio Nobel de Medicina em 1978, o surgimento da linhagem de bactéria com genoma sintético foi elogiado por cientistas de todo o mundo. Alguns preferiram situar o trabalho, que foi publicado eletronicamente na revista científica Science, como um grande feito tecnológico, uma mudança de escala na capacidade de o homem modificar o DNA de organismos, mas não como uma revolução científica. Outros pesquisadores, embora reconheçam o caráter técnico da empreitada, salientam que o trabalho tem, sim, relevância para a ciência. A visão de três desses cientistas está publicada em artigos especialmente escritos para esta edição de Pesquisa FAPESP, entre as páginas 47 e 51.
O biólogo Fernando Reinach não tira os méritos científicos do experimento de Venter. Segundo ele, o trabalho é a prova cabal de um conceito, o de que a matéria viva não tem nada de especial e também está submetida às leis da química e da física. Apenas com a informação do DNA é possível recriar um genoma e, por tabela, uma forma de vida. “Isso todo mundo já sabia em tese, mas faltava alguém demonstrar na prática essa teoria amplamente aceita”, afirma Reinach. “Depois da publicação do genoma humano, o trabalho de Venter é o de maior relevância que saiu. Não há por que tentar relativizar sua importância”, diz José Fernando Perez, presidente da Recepta Biopharma e diretor científico da FAPESP entre 1993 e 2005. “Ele coroa todo um esforço de entendimento científico do DNA. Os grandes avanços científicos não vêm de grandes ideias, mas de feitos tecnológicos.” Reinach também salienta um segundo ponto importante, igualmente de ordem científica, que emerge da análise do artigo na Science. Até agora, a vida sempre foi vista como algo contínuo. Todo ser descende de outros organismos semelhantes que viveram no passado. “O trabalho de Venter demonstra que a vida pode ser interrompida e reiniciada”, afirma Reinach, fazendo alusão ao fato de que a bactéria não tem ancestrais biológicos, é fruto da sequência de letras químicas armazenadas num computador.
A geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), comparou a repercussão causada pelo trabalho de Venter a um episódio semelhante ocorrido há 14 anos. “Esse feito me lembrou da clonagem da ovelha Dolly, por Ian Wilmut, em 1996. Os dois causaram uma revolução midiática”, escreve Mayana num artigo publicado na página 47.
Grande parte do financiamento das pesquisas do JCVI vem da Synthetic Genomics Inc (SGI), empresa fundada por Venter que fez 13 pedidos de patente sobre métodos usados nos trabalhos com biologia sintética. Venter diz que o experimento com a M. mycoides vai permitir desenhar microrganismos úteis ao homem, capazes de, por exemplo, produzir vacinas e biocombustíveis. A empresa petrolífera Exxon já se comprometeu a investir US$ 600 milhões na SGI para o desenvolvimento de algas que consigam produzir etanol.
Segundo a geneticista Lygia da Veiga Pereira, da USP, Venter terá muito trabalho pela frente para exercer a biologia sintética em sua plenitude. “O maior desafio será desenhar um genoma totalmente novo e escolher que genes serão colocados para que um organismo desempenhe uma determinada tarefa”, diz Lygia. Ainda que os esforços do cientista americano demorem para gerar frutos palpáveis, a simples presença no ambiente de pesquisa de um sujeito como Venter, polêmico e provocativo, sem dúvida, é vista como salutar por alguns de seus pares. “Para entender Venter, eu costumo pensar no ser humano como uma criança, uma criança largada numa sala bem grande chamada mundo. Ela fica mexendo em tudo, às vezes se queima ao colocar o dedo numa tomada, mas outras vezes acaba descobrindo como subir numa cadeira para alcançar as guloseimas lá em cima”.

Conexões do Autismo

Conexões do Autismo
Neurônios apresentam disfunção química ligada ao desenvolvimento cerebral
© karina griesi oliveira
Neurônios de autista: alterações na morfologia
Um dos distúrbios neurológicos mais comuns em recém-nascidos, o autismo é uma doença de origem complexa que, há décadas, desafia a pesquisa médica. É provável que fatores ambientais, como a exposição a metais pesados, pesticidas ou outros agentes tóxicos, desempenhem um papel no aparecimento dessa intrigante condição ou na ampliação de seus sintomas. Mas boa parte dos estudos tenta avançar na compreensão da intrincada base genética do autismo, que pode ser causada por um número ainda desconhecido de mutações e alterações em diferentes genes ou trechos do genoma humano. Uma equipe de pesquisadores brasileiros acredita ter encontrado uma pista sobre um dos mecanismos que pode estar por trás do surgimento da doença, caracterizada por comportamentos repetitivos e uma séria dificuldade de comunicação e de integração social.
A partir de dentes de leite de uma criança de 5 anos com autismo atendida no Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela FAPESP, os cientistas obtiveram células- -tronco de pluripotência induzida (iPSC, na sigla em inglês) e as transformaram em neurônios no laboratório. Dessa forma, puderam observar uma importante alteração num determinado canal de cálcio cujo bom funcionamento é de extrema importância nos estágios iniciais do processo de desenvolvimento dos neurônios. “Há menos cálcio alterando a ativação de vias celulares que podem estar relacionadas com o aparecimento do autismo nesse caso”, comenta a geneticista Maria Rita Passos Bueno, da USP, uma das autoras do estudo, ainda não publicado, que analisa a genética da doença há uma década. A obtenção da linhagem de iPSC e de neurônios com autismo ocorreu no laboratório do brasileiro Alysson Muotri na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), onde uma aluna de doutorado de Maria Rita, a bióloga Karina Griesi Oliveira, passou um ano aprendendo essa nova técnica de reprogramação celular. Os neurônios de pacientes com autismo apresentam também uma morfologia distinta das células nervosas normais, segundo a literatura científica. Eles têm um núcleo menor e suas ramificações são em número reduzido. “Isso pode significar que há um problema de desenvolvimento ou de maturação dos neurônios”, afirma Muotri.
A hipótese parece fazer sentido, visto que a equipe do brasileiro em San Diego encontrou resultados semelhantes ao estudar os neurônios de pacientes com outra desordem do desenvolvimento cerebral, a síndrome de Rett, obtidos igualmente a partir de células iPSC derivadas da pele. Embora apresente alguns sintomas similares ao autismo clássico, esse distúrbio afeta quase exclusivamente as garotas e tem uma causa bastante precisa: mutações no gene MeCP2, localizado no cromossomo X, causam a imensa maioria dos casos da doença. Esse gene contém as instruções para a síntese de uma proteí­na, também denominada MeCP2, que é importante para o desenvolvimento do cérebro e atua como uma espécie de chave bioquímica para a regulação de outros genes. Anomalias que afetam a produção dessa proteína acabam alterando o padrão de funcionamento de outros genes. Coincidentemente, no caso dos neurônios derivados de iPSC dos pacientes com síndrome de Rett ficaram constatadas alterações em vias químicas que também dependem do cálcio para serem ativadas, uma disfunção similar à encontrada no paciente brasileiro com autismo. “Pode ser que a proteína MeCP2  seja importante para a regulação da via de cálcio”, diz Muotri.
Rearranjo de cromossomo - No estágio atual dos estudos, é impossível afirmar se o canal de cálcio está implicado em todos os casos de autismo (e de outras desordens neurológicas similares) ou em apenas um pequeno número de manifestações da doença. Especificamente na síndrome de Rett, o quadro é mais simples. A causa genética da doença é conhecida e modelos animais mostram que, se os níveis da MeCP2 forem normalizados, os sintomas da síndrome diminuem. No autismo, a situação é mais complicada e nuançada. Não há apenas um gene ou um grupo de genes associado ao surgimento da doença. São conhecidas algumas alterações genéticas ligadas ao autismo, mas não se sabe quantas mais podem existir. A criança brasileira que forneceu os dentes para o trabalho das equipes da USP e da UCSD, por exemplo, desenvolveu o distúrbio neurológico em razão de uma rara alteração envolvendo segmentos de dois de seus cromossomos. Um trecho da sequência genética normalmente encontrada no cromossomo 3 trocou de lugar com um pedaço do cromossomo 11. Esses chamados rearranjos do carió­tipo, do conjunto de cromossomos de um organismo, podem eventualmente resultar em doenças. “Menos de 5% dos autistas apresentam rearranjos cromossômicos”, diz Karina.
No Centro de Estudos do Genoma Humano, os pesquisadores caracterizaram outros dois casos de autismo devido a esse tipo de anormalidade genética, um com um rearranjo nos cromossomos X e 2 e outro com alteração nos cromossomos 2 e 22. Com o auxílio do pesquisador Matthew State da Universidade de Yale, Karina conseguiu precisar o local exato em que os cromossomos dos três pacientes estudados se romperam. Às vezes, a ruptura se dá no meio da sequência de um gene, que, avariado, perde sua funcionalidade. Se for um gene importante, o problema pode causar distúrbios. “Se encontrarmos mais mutações ou rearranjos genéticos associados ao autismo e a problemas na ativação desse canal de cálcio, a hipótese de que essa via química é realmente importante para o aparecimento da doença ganhará força”, diz Maria Rita. Se a ideia se mostrar correta, os pesquisadores poderão, no futuro, averiguar a ação de fármacos que atuam nessa via química em modelos animais com quadro similar ao autismo ou diretamente em neurônios humanos, derivados de células iPSC. “Podemos tentar desenvolver novos compostos ou mesmo testar moléculas já conhecidas que hoje estão disponíveis nas bibliotecas de drogas das empresas de biotecnologia. O uso de neurônios derivados de iPSC de cada paciente para a triagem de novas drogas é o primeiro passo para uma medicina personalizada”, afirma Muotri.

Mundo vai ter 30 mil genomas decifrados até o fim de 2011

Mundo vai ter 30 mil genomas decifrados até o fim de 2011

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA

O ritmo vertiginoso com que os computadores ficam mais rápidos chegou ao mundo do sequenciamento (leitura) de DNA. No ano passado, havia menos de dez genomas humanos decifrados. Quando 2011 terminar, serão mais de 30 mil -por baixo.
A estimativa, considerada conservadora, foi feita pela revista científica "Nature" após ouvir mais de 90 centros de pesquisa genômica mundo afora. Só até o fim deste mês, a conta deve chegar a 2.700 genomas.
Líder em genômica diz que fomos ingênuos sobre potencial de sequenciamento do DNA Flor japonesa pode ter o maior genoma já encontrado, diz cientista
"O preço está cada vez mais baixo, de fato. Com US$ 5.000, US$ 4.000 você já consegue sequenciar um genoma. Daqui a pouco vai custar quinhentão", brinca Sandro José de Souza, biólogo do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer (SP) especializado em estudos genômicos.
Um artigo científico na "Nature" desta semana serve como um aperitivo do que está por vir. Um consórcio internacional, o Projeto 1.000 Genomas, coordenado por David Altshuler, do Hospital Geral de Massachusetts (EUA), publica dados do genoma de 179 indivíduos dos cinco continentes.
A batelada de pessoas incluídas na pesquisa tem uma justificativa simples: achar variantes raras de DNA. A questão é que, embora pareça haver um componente genético forte em problemas comuns, como diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares, é quase impossível achar genes associados a esse tipo de doença.
Os pesquisadores apostam que isso se deve ao fato de que o risco genético de tais doenças vem de uma miríade de mutações raras, cuja ação se soma e acaba desembocando na tendência hereditária a dado problema.
"Essa, ao menos, é a explicação mais popular para os resultados fracos dos estudos genômicos até agora", escreve Rasmus Nielsen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, em comentário à nova pesquisa na "Nature".
Comentário:
O consórcio internacional parece ter dado um passo importante para colocar a ideia à prova: eles identificaram 8 milhões de trocas de uma única "letra" química de DNA, até então desconhecidas, bem como 1 milhão de pequenas adições ou inserções de "letras" no genoma.
Ainda não há leituras de genomas inteiros de indivíduos brasileiros, embora já tenha sido sequenciado o DNA de um tipo de tumor.
"O problema ainda é integrar tudo isso com outras informações, envolvendo só os genes que estão ativos, ou o metabolismo do indivíduo, para responder perguntas específicas. O grande gargalo está aí".

sábado, 30 de outubro de 2010

Plástico feito com platas: Boom ambiental ou maldição.

27 de outubro de 2010
Plástico feito com plantas: boom ambiental ou maldição?
Plásticos à base de cana brasileira estão começando a substituir o petróleo
por David Biello
iStockphoto.com / Beata Becla
Problema: o impacto na produção de alimentos
Mais de 2,5 milhões de garrafas de plástico parcialmente elaborado a partir de plantas já estão em uso ao redor de todo o mundo em uma tentativa de substituir o petróleo como o bloco básico da produção do plástico diário. A garrafa chamada “PlantBottle” da Coca-Cola é feita dos açúcares presentes na cana-de-açúcar brasileira e substitui o polietileno tereftalato (PET) -comumente usado em garrafas de várias bebidas. Totalmente recicláveis, as garrafas estrearam em 2009 na Conferência do Clima de Copenhague das Nações Unidas.

O primeiro passo para a produção desse plástico é a fermentação do etanol da cana-de-açúcar no Brasil. Então, o etanol é exportado para a Índia, onde é processado junto ao dietilenoglicol, ou DEG, que compreende cerca de 30% de uma garrafa PET típica. O resto é composto de plástico tradicional e derivado do petróleo. "Essa é a matéria-prima mais sustentável, por enquanto", explica o químico Shell Huang, diretor de pesquisas de embalagens da Coca-Cola. "Nossa meta é fazer o plástico 100% a partir de resíduos vegetais", como a lignina e a celulose presentes nas folhas e bagaço da cana.

Devido à produção desse novo plástico, mais de 70 mil barris de petróleo foram poupados. "Estamos fazendo a PET a partir de um recurso renovável por isso há uma menor produção de carbono, e podemos tirar partido das infraestruturas existentes para reciclá-lo", explica Huang.

Naturalmente, os plásticos à base de plantas apontam para o mesmo problema que os combustíveis à base de plantas, direta ou indiretamente: o impacto sobre a produção de alimentos. Considerando que a fabricação do etanol de cana no Brasil é a energia mais eficiente, o cultivo e a colheita das plantas exigiriam a conversão de grandes áreas em canaviais. "Em longo prazo, isso poderia se tornar um problema", admite Frederic Scheer, presidente da Cereplast, que planeja lançar um produto à base de algas, além de um biopolímero à base de amido, até o fim de 2010. "Você não pode ter acesso a terra, sem criar pressões sobre o sistema alimentar e ao meio ambiente.”

Até agora, os bioplásticos só substituíram cerca de 1% das centenas de bilhões quilos de plásticos no mercado global, de acordo com a Lux Research, embora esse porcentual poderá crescer nos próximos anos. A maioria dos plásticos, como o PLA, não é reciclável, mas sim compostável.

É por isso que a Coca-Cola está trabalhando na direção de uma garrafa de plástico 100% à base de plantas. "Não temos um cronograma definido, mas já fizemos um estudo de viabilidade", diz Huang. "É tecnicamente possível fazer um frasco 100% de material vegetal."

Crise na Física e na Biologia? Artigo Scientific American Brasil setembro 2010

Boa tarde, o artigo a seguir é uma informação muito importante para as pessoas da área.
Crise na Física e na Biologia?
Falta explicar a origem de 96% do material cosmológico e da consciência
por José Maria Filardo Bassalo
Em 27 de abril de 1900, na Royal Institution of Great Britain, o matemático e físico escocês William Thomson, Lorde Kelvin de Lars (1824-1907), fez um discurso que se tornou conhecido e resumido pelos historiadores da ciência nos seguintes termos: “Vejo apenas duas pequenas ‘nuvens’ no sereno céu do conhecimento científi co: o experimento de Michelson-Morley, realizado em 1887, e a discordância entre os valores medidos e os valores teóricos previstos pela termodinâmica para os calores específi cos em baixas temperaturas”.

O discurso foi reproduzido pela Philosophical Magazine – Revista Brasileira de Ensino de Física, com o título de “Duas nuvens ainda fazem sombra na reputação de Lorde Kelvin”. Em dois trabalhos que publiquei (www.searadaciencia.ufc.br/curiosidadesdafisica), escrevi que essas “duas pequenas nuvens” transformaram-se em duas violentas tempestades: 1) A Teoria da Relatividade Restrita de Einstein (1905) e 2) a Teoria Quântica de Planck (1900). Ainda nesses trabalhos, considerei a existência de “outras nuvens” no “sereno céu” da física do fi nal do século 20 que poderão desencadear novas tempestades agora. Uma delas está “ligada à cosmologia, relacionada com a existência da matéria e da energia escuras.” Vejamos a razão disso.

Em 30 de junho de 2001, a Nasa lançou o satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP) com o objetivo de examinar algumas anomalias na radiação cósmica de fundo de micro-onda (RCFM), detectada, em 1965, indicando o resquício da “grande explosão” (Big Bang) observada pelo satélite Cosmic Background Explorer (Cobe), lançado em novembro de 1989. Com o término da missão do WMAP, em setembro de 2003, iniciaram-se as análises dos dados que ele enviou. Em março de 2006, a equipe desse satélite anunciou que o nosso Universo tem a idade aproximada de 13,7 bilhões de anos e é composto de 23% de matéria escura, 73% de energia escura e 4% de matéria bariônica, a matéria convencional.

As análises indicaram ainda que a velocidade de expansão do Universo é de 21,8 km/s, por milhão de anos-luz, e que a densidade de sua massa crítica vale Ω = 1,024, o que signifi ca que a geometria do Universo é quase euclidiana (plana). Esses dados, no entanto, não são explicados pelo Modelo Padrão Cos mológico do Big Bang (MPCBB). Esse modelo foi proposto nos anos 40 e desenvolvido entre 1970 e 2000, supondo que o Universo começou com a “explosão” de uma singularidade.

Assim, creio que a não explicação (até agosto passado) de aproximadamente 96% de material cosmológico (matéria e energia) represente uma crise na cosmologia. Em contraposição, a não descoberta do bóson de Higgs (bH), (previsto em 1964), peça fundamental do Modelo Padrão da Teoria das Partículas Elementares (MPTPE) também ampliará a crise da cosmologia, pois é o bH que explica a origem das massas das partículas elementares, sendo estas os componentes da matéria convencional cosmológica observada.

A crise na física referida anteriormente, no meu entendimento, está associada a uma outra, agora na biologia, particularmente na genética. Vejamos como. A Teoria da Evolução formulada por Charles Robert Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913), exposta em 1859, tem como característica básica a evolução do homem em quatro grandes momentos: Homo erectus, Homo habilis, Homo sapiens e Homo sapiens sapiens. Além disso, existe muita controvérsia sobre a evolução do homem a partir dos macacos (principalmente de gorilas e chimpanzés). Mas a grande questão é saber por que o homem é dotado de consciência e os macacos não, considerando que o homem e os chimpanzés e gorilas têm aproximadamente 98% de genes idênticos. A crise na biologia, por intermédio da genética, é explicar se existe algum gene responsável pela consciência humana.

Os genes são segmentos do composto orgânico chamado DNA, molécula armazenadora de instruções que coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos. A história dessa molécula começa, em 1869, quando o médico suíço Johann Friedrich Miescher (1844-1895) descobriu uma nova substância localizada no núcleo das células, denominada por ele de nucleína. Em 1889, o patologista alemão Richard Altmann (1852-1900) sugeriu que essa nova substância se chamasse ácido nucleico. Depois de vários estudos sobre os ácidos nucleicos, a estrutura molecular em dupla hélice do DNA foi fi nalmente descoberta, em 1953, pelos biólogos moleculares James Dewey Watson, americano, e Francis Harry Compton Crick, inglês.


Nova pista sobre a origem dos antropoides- Revista Ciência Hoje Online

Nova pista sobre a origem dos antropoides

A descoberta de alguns dos mais antigos fósseis africanos de primatas desse grupo, que reúne macacos e seres humanos, indica, pela diversidade de espécies encontrada, que nossos ancestrais podem ter surgido em outro continente.
Por: Thaís Fernandes
Publicado em 27/10/2010 | Atualizado em 27/10/2010
Nova pista sobre a origem dos antropoides
Fósseis encontrados na África mostram que, há cerca de 39 mil anos, o continente já abrigava diversas espécies de primatas antropoides (arte: Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, Pa).
O enigma sobre a origem dos primatas antropoides, grupo que inclui macacos e seres humanos, acaba de ter mais uma pista revelada. A descoberta de alguns dos mais antigos fósseis africanos do grupo põe em cheque a teoria de que a África teria sido o berço dos primatas superiores. A diversidade de espécies encontrada sugere que o continente foi colonizado posteriormente pelos nossos ancestrais, junto com outros mamíferos.
Ainda não há consenso sobre a época e o local de surgimento dos primeiros primatas antropoides. Fósseis encontrados no Egito sustentavam a hipótese de que esse grupo se originou na África durante o período Cretáceo (de 145 milhões e 500 mil a 65 milhões e 500 mil anos atrás). Essa teoria já havia sido questionada após a descoberta de vários antropoides basais na Ásia.
Ainda não há consenso sobre a época e o local de surgimento dos primeiros primatas antropoides
A conclusão é de um estudo publicado esta semana na Nature por uma equipe internacional de pesquisadores liderados por Jean-Jacques Jaeger, do Instituto Internacional de Paleoprimatologia e Paleontologia Humana, Evolução e Paleoambiente (França).
Os novos fósseis descritos pela equipe tiveram a idade estimada em cerca de 39 milhões de anos (período Eoceno médio tardio) e foram encontrados na formação Dur At-Talah, na Líbia central, no norte da África. O mais velho antropoide africano reconhecido até agora teria vivido há cerca de 40 milhões de anos na Argélia.
Formação Dur At-Talah, na Líbia
Vista panorâmica da formação Dur At-Talah, na Líbia central, onde foram encontrados fósseis de alguns dos mais antigos primatas antropoides africanos (foto: MPFL).

Diversidade surpreendente

O achado surpreende pela diversidade de espécies – quatro ao todo, sendo três novas (Karanisia arenula, Afrotarsius libycus e Talahpithecus parvus) e uma já conhecida pela ciência (Biretia piveteaui). Elas pertencem a três diferentes clados (grupo de organismos originados de um único ancestral comum) de antropoides e a um grupo de primatas que tem como atuais principais representantes os lêmures de Madagascar.
Os pesquisadores acreditam que os antropoides podem ter evoluído na Ásia
Segundo os pesquisadores, a explicação mais provável para essa diversidade é que várias espécies de antropoides tenham evoluído e se diversificado em outro continente e depois se dispersado quase simultaneamente em direção à África durante o período Eoceno médio.
“Sem evidência fóssil mais antiga na África, agora estamos olhando para a Ásia como o local onde esses animais evoluíram primeiro”, diz em comunicado à imprensa um dos autores do artigo, Christopher Beard, do Museu Carnegie de História Natural, nos Estados Unidos.
Outra justificativa é que os antropoides tenham surgido na África muito antes do que se imagina. Mas os paleontólogos não acreditam que a aparição repentina de tamanha diversidade de espécies vivendo aproximadamente ao mesmo tempo no norte da África seja fruto de uma lacuna no registro fóssil africano.
Outros sítios do mesmo período já foram bem estudados na região e não apresentaram indícios do surgimento dessas novas espécies.

Tendência de crescimento

Os quatro primatas primitivos descobertos na Líbia eram notavelmente pequenos: o peso dos adultos variava de 120 a 470 gramas. Essa característica reforça a conclusão de que os antropoides surgiram a partir de indivíduos muito pequenos, baseada na análise de um agrupamento de primatas do Eoceno médio encontrado na China.
Segundo os cientistas, essas espécies começaram a ser suplantadas por outras maiores no Eoceno tardio, e essa tendência de crescimento entre os antropoides africanos primitivos continuou no Oligoceno.
Beard diz que, quando esses pequenos antropoides surgiram, a África era um continente isolado e não havia nada que pudesse competir com eles. “Isso leva a um período de divergência evolutiva florescente entre antropoides, e uma dessas linhagens resultou nos humanos”, explica.
“Se nossos ancestrais antropoides primitivos não tivessem obtido sucesso na migração da Ásia para a África, nós simplesmente não existiríamos.”
Além dos primatas descritos no artigo, foram identificados cinco roedores no sítio localizado na Líbia. A equipe destaca agora a necessidade de estudos em outros sítios do Eoceno médio na África e na Ásia para entender melhor esse período pouco documentado da história evolutiva dos primatas.
Thaís Fernandes
Ciência Hoje On-line

The evolution of the marine phosphate reservoir

Publicação da Revista Nature desse mês de outubro, ótimo artigo.

The evolution of the marine phosphate reservoir

Noah J. Planavsky1,2, Olivier J. Rouxel2,3, Andrey Bekker4, Stefan V. Lalonde5, Kurt O. Konhauser5, Christopher T. Reinhard1 & Timothy W. Lyons1
  1. Department of Earth Sciences, University of California, Riverside, California 92521, USA
  2. Department of Marine Chemistry and Geochemistry, Woods Hole Oceanographic Institute, Woods Hole, Massachusetts 02543, USA
  3. Université Européene de Bretagne, European Institute for Marine Studies, Technopôle Brest-Iroise, Place Nicolas Copernic, 29280 Plouzané, France
  4. Department of Geological Sciences, University of Manitoba, Winnipeg, Manitoba R3T 2N2, Canada
  5. Department of Earth and Atmospheric Sciences, University of Alberta, Edmonton, Alberta T6G 2E3, Canada
Correspondence to: Timothy W. Lyons1 Email: timothy.lyons@ucr.edu
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Phosphorus is a biolimiting nutrient that has an important role in regulating the burial of organic matter and the redox state of the ocean–atmosphere system1. The ratio of phosphorus to iron in iron-oxide-rich sedimentary rocks can be used to track dissolved phosphate concentrations if the dissolved silica concentration of sea water is estimated2, 3, 4, 5. Here we present iron and phosphorus concentration ratios from distal hydrothermal sediments and iron formations through time to study the evolution of the marine phosphate reservoir. The data suggest that phosphate concentrations have been relatively constant over the Phanerozoic eon, the past 542 million years (Myr) of Earth’s history. In contrast, phosphate concentrations seem to have been elevated in Precambrian oceans. Specifically, there is a peak in phosphorus-to-iron ratios in Neoproterozoic iron formations dating from ~750 to ~635Myr ago, indicating unusually high dissolved phosphate concentrations in the aftermath of widespread, low-latitude ‘snowball Earth’ glaciations. An enhanced postglacial phosphate flux would have caused high rates of primary productivity and organic carbon burial and a transition to more oxidizing conditions in the ocean and atmosphere. The snowball Earth glaciations and Neoproterozoic oxidation are both suggested as triggers for the evolution and radiation of metazoans6, 7. We propose that these two factors are intimately linked; a glacially induced nutrient surplus could have led to an increase in atmospheric oxygen, paving the way for the rise of metazoan life.
  1. Department of Earth Sciences, University of California, Riverside, California 92521, USA
  2. Department of Marine Chemistry and Geochemistry, Woods Hole Oceanographic Institute, Woods Hole, Massachusetts 02543, USA
  3. Université Européene de Bretagne, European Institute for Marine Studies, Technopôle Brest-Iroise, Place Nicolas Copernic, 29280 Plouzané, France
  4. Department of Geological Sciences, University of Manitoba, Winnipeg, Manitoba R3T 2N2, Canada
  5. Department of Earth and Atmospheric Sciences, University of Alberta, Edmonton, Alberta T6G 2E3, Canada

MECANISMOS DE EXPRESSÃO GÊNICA EM EUCARIOTOS

Está ai um artigo recente publicado pela USP em sua revista, voltada para biologia.
MECANISMOS DE EXPRESSÃO GÊNICA EM EUCARIOTOS

Emerson A. Castilho Martins*, Paulo Roberto Maciel Filho
Departamento de Fisiologia, Instituto de Biociências, USP
Apoio: FAPESP; CAPES; CNPq
Recebido 19out09 / Aceito 14jan10 / Publicação inicial 15abr10
martinseac@gmail.com

Resumo. Com raras exceções, as células de eucariotos pluricelulares apresentam o mesmo material genético. Porém, com o decorrer das fases de desenvolvimento do organismo ou em diferentes tecidos, as exigências metabólicas são diferenciadas, e diferentes genes são ligados e desligados, expressando um conjunto distinto de proteínas. Existem vários mecanismos responsáveis por controlar a ativação e desativação de genes (controle da expressão gênica), em diferentes momentos da vida celular. Apresentamos nesta revisão alguns passos que são passíveis de controle, bem como uma breve descrição e exemplos ilustrativos de mecanismos de regulação de expressão gênica.
Palavras-chave. Controle de expressão, regulação gênica, adaptação fisiológica
MECHANISMS OF GENE EXPRESSION IN EUKARYOTES
Abstract. With rare exceptions, all cells of multicellular eukaryotes have the same genetic material. However, metabolic requirements are different over the stages of their development or in different tissues. These requirements are satisfied by gene expression control in these organisms. In the present review we discuss some steps that are likely to be controlled, and a brief description and examples of mechanisms of gene expression.
Keywords. Expression control, gene regulation, physiological adaptation

Introdução
Basicamente, expressão gênica pode ser descrita como o conjunto de processos que ocorrem para que um organismo, tecido ou célula inicie, aumente, diminua ou cesse a produção de produtos finais de seus genes, prot
eínas e/ou RNAs. No início dos anos 60, o grupo de Nirenberg começou a decifrar o código genético, permitindo correlacionar a sequência de aminoácidos das moléculas proteicas com as sequências de nucleotídeos do RNA mensageiro (mRNA), que por sua vez é determinada pela sequência dos nucleotídeos no DNA. No entanto, os mecanismos e estímulos que levam à produção das diferentes proteínas e RNAs, em diferentes células, são tão importantes quanto a própria sequência codificadora.
Com raras exceções, o material genético dos eucariotos pluricelulares é idêntico em todas as células. Isso decorre do fato de todas serem originadas da única célula-ovo. Os mecanismos de controle de expressão devem, então, começar por aí: as exigências das células, durante seu desenvolvimento, mudam. Consequentemente, os produtos de seu metabolismo devem responder a essas mudanças. Além disso, as células se diferenciarão em diferentes tecidos, que responderão a diferentes estímulos e apresentarão atividades específicas. Com isso, é possível notar quão importante é a regulação gênica.
A molécula de DNA é um polímero de nucleotídeos, unidades essas constituídas de uma molécula de açúcar (desoxirribose), um grupo fosfato e uma base nitrogenada, que pode ser adenina, guanina, timina ou citosina. A molécula é formada por uma fita dupla em hélice, unidas por pontes de hidrogênio entre as bases nitrogenadas (Watson e Crick, 1953). Quando analisamos a sequência de bases nitrogenadas de uma fita, encontramos regiões que determinarão a sequência de aminoácidos. Essa região é, portanto, codificante. Como não se conhece produtos (RNA ou proteínas) de uma parte do genoma, se poderia pensar que essas não codificam nada, não têm função. Sabemos, no entanto, que não é o que acontece. Essas sequências são importantes porque nelas encontramos sinais pelos quais é possível regular a expressão, uma vez que apresentam sequências específicas para interação de proteínas que fazem a transcrição (no DNA) ou tradução (no mRNA). Há ainda espaçadores onde a sequência em sí não é importante, mas seu tamanho torna acessível as regiões a serem expressas.

A organização nuclear
O núcleo apresenta um domínio cromossômico com alta concentração de genes, chamado domínio central, e uma região chamada domínio periférico, com concentração menor de genes. Esse tipo de organização, contudo, não é estática, já que há reorganização dos cromossomos nas células de acordo com o nível de expressão dos seus genes (Verschure, 2004). Dessa forma, uma maneira de se controlar a própria expressão seria endereçar o cromossomo em regiões onde seus genes poderiam ser mais ou menos expressos (Singer e Green, 1997; Elias e col., 2002)

Aumentando o número de genes
Um mecanismo que garante o aumento da expressão de um determinado gene é aumentar o número de suas cópias no genoma. Dessa forma, maior quantidade de DNA molde, ao sofrer transcrição, gera uma quantidade maior de mRNA e, consequentemente, da respectiva proteína. Em alguns raros casos, acontece a amplificação gênica: a dupla fita de DNA se abre no gene e em seguida, a DNA polimerase sintetiza as fitas complementares, resultando então em duas duplas-fitas de DNA no local do gene. O processo pode se repetir, obtendo-se o crescimento exponencial do número de cópias do mesmo: de 2 para 4, 8 e assim por diante. A amplificação acontece somente naquelas células e não será transmitida para as gerações futuras. Alguns genes de produção de células foliculares de Drosophila são um exemplo desse tipo de estratégia (Claycomb e col., 2004).
Outro mecanismo que garante o aumento do número de genes é chamado de duplicação gênica. A sequência do gene é incorporada novamente ao genoma ou através de recombinação desigual, na qual o pareamento não é completamente homólogo, fazendo com que parte do cromossomo seja duplicada, ou através da ação de elementos transponíveis ou retrotransponíveis, que podem levar consigo parte da informação do hospedeiro e incorporá-lo em outra parte do genoma. Com isso, a cópia do gene poderá ficar incorporada ao genoma definitivamente. Quando mantida, essa cópia pode mutar, ou manter a estrutura original e ser transmitida aos descendentes. Apresenta a vantagem de conferir maior plasticidade ao organismo. Uma das cópias do gene se mantém sem alterações funcionais enquanto a outra pode sofrer mutações que podem levar ao aparecimento de novas formas da proteína com diferenças funcionais vantajosas ao organismo. Um caso de sucesso é observado em peixes antárticos da espécie Trematomus bernacchii, que apresentam três cópias do gene de pepsina A, decorrentes de dois eventos de duplicação. Esses genes passaram por mutações que geraram três formas diferentes de pepsina, proporcionando melhor funcionamento da digestão dos peixes na temperatura baixa em que vivem (Carginale e col., 2004).

A atividade das polimerases
A transcrição dos genes é catalisada por enzimas chamadas RNA polimerases. Essas enzimas reconhecem sequências no DNA às quais se ligam, chamadas de regiões promotoras, ou simplesmente promotores. No entanto, diferentes complexos proteicos podem estar ligados a esses promotores, interferindo indiretamente na expressão de genes.
Os genes que codificam o RNA ribossômico (rRNA), o RNA que constitui o ribossomo, organela responsável pela tradução, são transcritos pela enzima RNA polimerase I, comumente chamada de RNA polI. Essa enzima apresenta uma série de fatores das quais seu funcionamento depende, e a presença desses conhecidamente altera a sua atividade. Além disso, alguns desses fatores são capazes de reconhecer sequências à montante do sítio de ligação da enzima - região conhecida como Espaçador Intergênico (IGS) - fazendo com que a eficiência da atividade enzimática aumente na presença de sequência específica na região não transcrita anterior ao sítio promotor (de Andrade Stempliuk e Floeter-Winter, 2002).
Sabe-se ainda que essa enzima apresenta associação com as proteínas motoras actina e miosina nucleares, o que interfere no funcionamento da mesma. A miosina nuclear participa do início da transcrição, enquanto a actina participa do elongamento do transcrito. No entanto, aparentemente o processo não depende de atividades motoras dessas proteínas, já que se consegue observar a importância das mesmas tanto in vitro quanto in vivo (Philimonenko e col., 2004).
Os mRNA são transcritos pela RNA polimerase II, chamada de RNA polII. Essa enzima também apresenta fatores ligados a ela que permitem sua atividade. Além disso, é fato conhecido, a interferência na atividade da RNA polII por proteínas que se ligam à montante do promotor e podem aumentar ou diminuir sua atividade (Kadonaga, 2004).

Splicing
Chamamos de "splicing" o processamento do pré-mRNA em que sua sequência é alterada, seja pela retirada de partes da molécula, seja pela adição de sequências específicas. No primeiro caso, denominamos de "cis-splicing" ou somente "splicing", porque todo o processo envolve uma única molécula. Quando se adiciona uma sequência transcrita a partir de outro gene a um pré-mRNA, denominamos o processo de "trans-splicing" (Alberts e col., 2002).

Cis-splicing
Durante a transcrição, ainda no núcleo, um complexo chamado spliceossomo liga-se ao pré-mRNA. Esse complexo lê a sequência do pré-mRNA e, caso encontre marcações para isso, retira parte da molécula, liga a parte anterior ao resto da mesma e continua o processo. As partes retiradas são chamadas de íntrons, enquanto que as regiões que farão parte do mRNA maduro e que, portanto, serão expressas, são chamadas de exons. As marcações para a retirada de íntrons são bastante variáveis, embora apresentem algumas características conservadas. Essa variabilidade confere ao sistema uma maior plasticidade de ação no processamento do mRNA (Abril e col., 2005).
Por algum tempo, acreditou-se que os íntrons não continham informações, e que faziam parte de resquícios evolutivos que perderam a função com o tempo. No entanto, hoje se reconhece que esse pensamento era equivocado: é sabido que a expressão pode depender da presença de íntrons, e ainda que esses íntrons têm sítios de ligação para reconhecimento indireto de condições ambientais. É o caso, por exemplo, do gene para a produção de arylalkylamina N-acetiltransferase (AA-NAT), que controla a produção do hormônio melatonina. Uma região no íntron 1 desse gene apresenta sítio de ligação de um elemento responsivo a AMP cíclico (AMPc). Esse elemento é chamado de CREB e aumenta a tradução do mRNA quando ocorre um aumento do AMPc, ou seja, quando a célula é estimulada. Quando estímulos chegam às células da glândula pineal, ocorre um aumento do AMPc, que permitirá a ligação do CREB no íntron 1 e levará a um aumento de mais de 5 vezes na quantidade de melatonina produzida na glândula. O mesmo efeito é muito diminuído com a retirada do íntron 1, como ocorre nas outras células do corpo (Baler e col., 1999). Com isso, a glândula pineal pode regular a produção de melatonina por responder de maneira indireta à presença de luz, o que torna possível regular o ritmo circadiano através de condições luminosas do ambiente.

Acoplamento de fatores de transcrição
Outra característica interessante da RNA polII é a presença de estruturas que permitem o acoplamento de fatores que agirão pós-transcrição, chamados fatores de processamento do RNA. Esse processamento transforma o mRNA recém transcrito em mRNA maduro, sem introns, com cauda de poli-A e CAP, que ajudam a manter a molécula mais estável. O CAP é uma guanidina metilada adicionada na extremidade 5' do mRNA, e a cauda de poli-A é a adição de dezenas de adenosinas na extremidade 3' da molécula (Alberts e col., 2002). A estrutura da RNA polII aumenta a eficiência de todos esse processos porque concentra os fatores necessários para o processamento próximo ao local da transcrição (Maniatis e Reed, 2002; Zorio e Bentley, 2004).

Splicing alternativo
O número de genes encontrado no genoma humano foi estimado em cerca de 25.000 genes, no entanto, esses guardam informações para a produção de um número muito maior de proteínas (Venter e col., 2001). Uma das explicações para essa discrepância está na flexibilidade dos sítios de reconhecimento de "splicing", o que permite ao sistema de processamento a criação de diferentes formas de proteínas a partir de uma mesma sequência de DNA. É o evento chamado "splicing" alternativo. Segundo Sharp (2009), mais da metade do DNA de células de vertebrados é expresso segundo diferentes formas de "splicing". É o caso, por exemplo, da imunoglobulina M, que, em peixes, tem a sequência de DNA expressa em linfócitos B no início de desenvolvimento sob a forma de proteína de membrana, enquanto que nos linfócitos B maduros o gene é expresso sob a forma de proteínas plasmáticas. (Wilson e col., 1995). Outro exemplo conhecido é a expressão do gene de beta-tropomiosina do músculo esquelético, que ocorre de maneira diferenciada em fibroblastos e músculo liso por meio de "splicing" alternativo (Helfman e col., 1988).
O "splicing" alternativo também pode ser a chave para processos patológicos, dando origem a transcritos que não são funcionais ou tem função exacerbada. É o caso, por exemplo, do insulinoma humano, onde o mRNA da insulina apresenta como variante de "splicing" uma forma com a inclusão de parte do primeiro íntron na região 5`UTR. Com isso, tanto o RNA sem o íntron, variante mais comum, quanto o RNA com o íntron darão origem à mesma proteína viável, no entanto, a variante do mensageiro da insulina com a parte do íntron 1 é traduzida mais vezes do que a variedade nativa. Em células pancreáticas normais, a quantidade de variante com íntron não chega a 0,5%. No entanto, em insulinomas, as células do tumor aumentam significativamente a porcentagem de variantes do mensageiro com o íntron 1, chegando a produzir mais de 13% dos mRNA de insulina com o íntron conservado. Com isso, essas moléculas, por serem mais traduzidas, acabam gerando muito mais insulina por célula, gerando o quadro de hiperinsulinemia e, consequentemente, hipoglicemia (Minn e col., 2004).

Trans-splicing
O "trans-splicing" consiste na união de exons de diferentes transcritos em um único mRNA. Alguns organismos apresentam transcrição policistrônica, isto é, apresentam um promotor no cromossomo e em seguida a ele diversos genes. Esses organismos precisam, então, individualizar a informação, ou seja, processar o pré-mRNA em RNA com informação para a síntese de proteína. Assim, o "trans-splicing" permite a formação desses mRNA maduros. Esse tipo de "trans-splicing" é conhecido como SL "trans-splicing", porque adiciona uma sequência líder (SL) no início dos mRNA. Essa sequência vem acompanhada do CAP, o que permite a proteção dessas moléculas altamente instáveis. Esse mecanismo é responsável pelo controle de expressão em organismos com transcrição policistrônica, quando a individualização da informação só é possível com a adição da sequência SL. Embora o mecanismo seja comum em protozoários, o processo é também encontrado em metazoários, como em cnidários, platelmintos, nemátodes, insetos e inclusive em mamíferos (Mayer e Floeter-Winter, 2005).

Edição de RNA
Outro processo pós-transcricional é a edição do RNA, também chamado de RNA editing. O processo consiste na modificação do transcrito, e foi descrito em protozoários cinetoplastídeos. Esses organismos apresentam uma única mitocôndria, com seu material genético organizado na forma circular, concatenados em minicírculos e maxicírculos. Os maxicírculos contém a informação primária para a produção das proteínas mitocondriais, enquanto que os minicírculos codificam os chamados gRNA, que se associados aos transcritos dos maxicírculos e, junto com uma maquinaria chamada editiossomo, farão o processo de edição.
Basicamente, esse processo consiste na inserção e ocasionalmente na retirada de uridinas (U) dos pré-mRNA ou na troca de uma citidina (C) por uridina. Essas alterações provocam, muitas vezes, a alteração da fase de leitura do RNA, de forma que apenas os mRNA que passarem por esse editing serão lidos corretamente. Com isso, as moléculas de mRNA formadas são, na verdade, híbridos de sequência transcritas a partir de DNA de maxicírculos com sequências transcritas dos minicírculos (Simpson e col., 2000).

Estabilidade do mRNA
As moléculas de mRNA apresentam, como citado, estruturas nas extremidades 5' e 3' não traduzidas que aumentam sua estabilidade. No entanto, há uma ciclagem dessas moléculas na célula, através de degradação controlada por marcas presentes na própria molécula. Dentre os mecanismos para degradação, encontramos complexos enzimáticos capazes de detectar RNA dupla-fita. Esses complexos reconhecem as duplas-fitas de RNA e as cortam em fragmentos com aproximadamente 21 bases. Esses fragmentos são, então, usados como moldes na detecção de moléculas complementares de RNA. Quando uma molécula de mRNA se hibrida a esses fragmentos, ocorre sua degradação. Com isso, é possível inibir a expressão de um gene através da expressão de sua sequência complementar. Esse processo vem sendo explorado atualmente para o knockdown de genes em fases específicas do organismo (Fjose e col., 2001; Shoji e col., 2005).

Considerações finais
A disposição de se obter o sequenciamento do genoma humano estava baseada na ideia de que o conhecimento do conjunto de bases que compõem o DNA humano seria revelador de grande parte de seu funcionamento. Com o anúncio da composição do genoma, no entanto, se percebeu que, na verdade, a complexidade fisiológica envolvia muito mais do que apenas a predição de produtos codificados na sequência de bases. A regulação da expressão desses produtos e o entendimento da relação dos produtos e mecanismos alternativos associados à regulação são os pontos que fazem dos seres vivos em geral, incluindo o homem, organismos com diversos níveis de organização e complexidade.
Cada vez mais se reconhece a importância de diversas regiões do genoma, de sistemas enzimáticos de controle de transcrição e tradução e de sistemas pós-transcricionais de edição. Conceitos como o DNA “lixo”, de que sequências não codificadoras seriam apenas resquício evolutivo sem função nenhuma, estão, senão acabando completamente, ao menos diminuindo em grande escala com relação ao que se acreditava ainda há poucos anos, e o estudo da expressão gênica vem contribuindo para entendermos processos fisiológicos e suas variantes patológicas.

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